O ar do quarto no castelo da Família Draken cheirava a cera de abelha e pergaminho antigo. Kaelen abriu os olhos devagar, observando os reflexos da lua cheia através das cortinas de veludo azul. Ele tinha apenas dezessete anos nesta vida, mas memórias de outra existência — cheia de táticas militarizadas, controle rigoroso e foco absoluto — pulsavam sob sua testa.
Ele levantou a mão direita. Diferente dos nobres que precisavam canalizar mana através de varinhas ou encantamentos demorados, Kaelen sentiu o fluxo de energia circular pelos seus canais internos de Chakra. Com um movimento rápido dos dedos, formando o selo do Confronto, a sombra sob sua cama ganhou vida por um segundo, distorcendo o ar ao redor.
A porta abriu-se devagar, revelando Elena, a jovem preceptora enviada pela Casa Ducal vizinha. Elena usava um vestido justo de seda escura que marcava sua postura aristocrática, com olhos prateados que pareciam ler até os pensamentos mais ocultos de Kaelen.
Kaelen levantou-se da poltrona com a elegância de um predador disfarçado de nobre. Ele caminhou até Elena, parando a uma distância mínima, suficiente para sentir o perfume suave de orquídeas pretas que ela usava.
Elena respirou fundo, tentando manter o controle diante do olhar penetrante do jovem nobre. A presença de Kaelen não era como a dos outros rapazes da nobreza; havia algo perigoso e hipnotizante na forma como ele se movia.
Kaelen sorriu de canto, um gesto sutil que misturava frieza e charme. Ajeitou o punho do sobretudo negro com detalhes em ouro e seguiu pelo corredor iluminado por tochas, deixando para trás uma preceptora com o pulso acelerado e um misterioso ar de expectativa.
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